BURGHER KING LEAR - TeCA

«Burgher King Lear» chega aos palcos do Porto
Publicado a 20.09.2007 - Lusa/SOL

"Um Rei Lear, de Shakespeare, com o texto «esquartejado e esmagado», bilingue e com uma dúzia de personagens concentradas em dois actores é a proposta que João Garcia Miguel apresenta até domingo no Teatro Carlos Alberto, no Porto(...)"


"Inventar o humano" com Shakespeare
Por Joana Caldeira Martinho - ljcc05051@letras.up.pt
Publicado a 19.09.2007 in JornalismoPortoNet

“Burgher King Lear”, no Teatro Carlos Alberto até domingo, adapta o clássico "Rei Lear".
Encenar uma peça de Shakespeare era "um desejo antigo" para João Garcia Miguel. Ele explica: "É preciso mexer nos mortos, perder o medo, para usufruir daquilo que eles nos deixaram". O resultado, "Burgher King Lear", estreia hoje, quinta-feira, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, e é uma adaptação bilingue (inglês, legendado, e português) de "Rei Lear" de Shakespeare. Estará em cena até domingo.

Segundo João Garcia Miguel, esta obra é um exemplo "da capacidade única e extraordinária que o teatro tem de fazer-nos viajar dentro de nós próprios através das outras pessoas". "O teatro é perigoso, extremamente invasivo", "ajuda-nos a inventar o humano através da confrontação com o que é mais negro".

O encenador levou alguns anos para ganhar a capacidade de "pegar num clássico tão potente como é o Shakespeare". "Sobreviveu 400 e tal anos e isso é algo invejável", diz.
A curiosa associação entre hambúrgueres e Shakespeare é assumida como uma "provocação" e uma desconstrução da obra original. O texto "teve um propósito no momento em que foi escrito", e, se não for adaptado aos tempos de hoje, "perdia um pouco da sua pertinência".

Do original fica a ideia principal ideia principal: "Todos nós sentimos reis no nosso próprio mundo e queremos muitas vezes abandonar esse mundo, abandonar aquilo que nós próprios somos". E Lear faz precisamente isso, sendo um personagem em que "a coragem se confunde completamente com a loucura, o que o faz perder pessoas queridas e a si próprio".

Confronto de forças
A história desenrola-se a partir do momento em que o rei Lear decide abdicar do trono e dividir o reino pelas suas três filhas, de forma proporcional ao amor pelo pai que cada uma conseguir exprimir. Uma delas, Cordélia, recusa-se a bajular o pai em troca de uma recompensa e Lear bane-a do reino, "uma decisão que acaba por ser uma tragédia tão grande que morrem 13 pessoas", conta o encenador.

João Garcia Miguel escolheu concentrar as inúmeras personagens da peça em dois actores – Anton Skrzypiciel e Miguel Borges – porque um personagem "não tem limites fixos". Além disso, nesta obra existe um confronto entre duas forças confronto entre duas forças, personificadas pelas personagens dos actores: "uma mais racional e outra eventualmente mais selvática".
Vestiu ainda os actores de palhaços, uma opção que não consegue explicar bem, mas que ajuda na transformação dos actores nos diversos personagens. Os palhaços "condensam comédia e tragédia de uma forma profunda, muito atractiva", diz. "A palavra ‘palhaço’ não remete só para a ideia do riso; existe também algo de miserável".

+info sobre o espectáculo,no TeCA (20 a 23 de Setembro de 2007)
> >introdução / ficha técnica / texto João Garcia Miguel / (ex)citações / entrevista aos criadores / excertos Harold Bloom / excertos Fintan O'Toole

BURGHER KING LEAR - Festival de Almada

Teatro Municipal de Almada,
3ª feira, 10 de Julho, 22 horas.

Festival de Almada









“Burgher King Lear”por Ana Sofia Ribeiro
Era já tarde quando abriram o espaço para deixar entrar o público. Ali, na outra margem do Tejo, a noite estava quente e pronta para apresentar mais uma peça do Festival de Almada - Burgher King Lear. É a história de um pai e das suas três filhas. É a história de um homem que é rei e que sente cansado, velho. É a história de um homem que pede às suas filhas que lhe digam qual delas o ama mais e em troca da sua confissão dar-lhes-á um terço do seu reino.
Integrada no Festival de Almada, Burgher King Lear deliciou o público e O Amador esteve lá no passado dia 10 do mês corrente.
O rei pede às suas filhas que lhe digam qual delas o ama mais e “se as duas primeiras, movidas pela ambição, lhe oferecem uma definição canónica; a sua preferida não entra no jogo pois um tão cavado amor não é descritível”. A partir daí, a porta abre-se para a loucura, para a fragilidade, para a sobrevivência. Aborda-se, daí em diante, a temática do tempo e da metamorfose.
“O rei está louco! O rei não sabe para onde nos leva! Cruéis tempos se avizinham! Houve um tempo em que o rei matava todos com a sua espada! Mas agora o rei não tem força para a levantar! O rei está velho! O rei vai morrer! O rei não quer morrer! Que o rei morra depressa! O rei partiu a sua coroa ao meio e abandonou o castelo! O rei está louco! O rei não sabe para onde vai! O rei não quer ser rei! Cruéis tempos se avizinham! O rei quer morrer!”.
O texto original é de Shakespeare. Contudo, João Garcia Miguel traduziu-o e adaptou-o, criando uma versão bilingue para dois actores, um australiano e um português. As falas sucedem-se continuamente em português e em inglês e as legendas ao longo da peça são uma constante, permitindo que a imaginação não se disperse tanto.Anton Skrzypiciel e Miguel Borges interpretam as personagens e, enquanto o primeiro representa o rei que vai endoidecendo, o segundo deixa que a sua versatilidade domine o público, representando inúmeras personagens - as filhas do rei, o cão, o bobo da corte, etc.
O cenário é simplista, baseado em cadeiras metálicas que vão compondo o espaço adequado à cena respectiva e apenas um objecto alto e rectangular se destaca dos demais. Representava, entre outras coisas, Cordélia, a filha preferida do rei.




O título, esse, é puro trocadilho. Se, por um lado, e à primeira vista, o título sugere imediatamente a palavra hambúrguer, por outro, é literalmente sinónimo da palavra “cidadão” e João Garcia Miguel explica exactamente esta dualidade - “A alteração do título tem uma dupla intenção irónica e crítica, porque manipulamos e transformamos o texto de Shakespeare como se fosse um hambúrguer; em simultâneo, trabalhamos a dimensão de homem comum e cidadão que o rei apresenta, o abandono das suas responsabilidades de governação e a relação com as suas filhas”.
Ali, no Palco Grande, montado propositadamente na Escola D. António da Costa, o Festival ganha todo o espiríto digno desse nome, evidenciando algumas das peças que marcam o mundo do teatro.

FAZER BOM USO DA MORTE - Estreia

Casa d'Os Dias da Água,
de 3 a 15 de Julho de 2007




MORRAM BEM TODOS OS DIAS POR FAVOR




Podemos nem sequer pensar nisso e ter sorte e a morte cair morta aos nossos pés. podemos dormir com a morte na garganta e acordar com ela enroscada nos pés? podemos não morrer fazendo uma máquina que mantenha o corpo sempre em transformação e não deixar que a morte o pára de se modificar? a morte é uma mentira? morte à morte e a quem a apoiar! podemos matar-nos antes de morrermos?




Podemos pensar que a morte não dura sempre, a morte não dura para sempre como a vida e o tempo, ou podemos pensar que não temos vida para morrer, que não temos ainda uma vida suficientemente vivida para podermos dar-nos ao luxo de morrer? e podemos morrer de cócoras ou morrer de pé ou morrer em cima de uma nuvem, ou morrer esmagados por uma pedra que cai do céu, podemos morrer debaixo de um lencol, podemos morrer em cima de um alfinete, podemos morrer com escamas nos pés, podemos mudar de cor ao morrer, podemos morrer e fazer um bom uso da morte.









Vamos fazer uma peça de teatro ou lá o que isso é a partir de um texto de Pasolini que nos deu umas ideias sobre a morte e os gajos que querem ou que são mesmo sem querer qualquer coisas mais que apenas uns animais e que podem ou que conseguem por vezes sem querer ou por querer olhar a morte de lado e depois com mais um esforço pequenino e minusculo olhar a morte de obliquo e depois olhar a morte por detrás pelo rabo e depois ohar para si mesmo e perceber qe aquele sinal que ali começa a crescer não é o pecado venial mas a morte a alastrar e que até nisso a morte deles é unica e diferente das mortes que vêm nos livros e das mortes que todos os outros morreram até hoje
.....
jgm