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A Fuga

A Fuga
Maio de 2003.
Blitz

Seria preciso uma grande chuvada para apagar as pegadas

Seria preciso uma grande chuvada para apagar as pegadas
Novembro de 2002.
A Capital.

BATER NO FUNDO - Estreia

Armazém do Ferro
14 de Setembro de 2002

A intenção é a co-criação de um espectáculo entre o Olho e a Senssuround, contando com a interpretação de João Garcia Miguel e Lúcia Sigalho, para além de outros intérpretes.Lisboa, uma metrópole Europeia, dividida por um rio. Uma cidade duas margens. Um homem e uma mulher, dois percursos que se vão distanciando e que se tocam num ponto. O Norte e o Sul.

I Parte: Caixa Pretatexto: Lúcia Sigalho, a partir de A Gaivota de Anton Tchekov (reescrita)
II Parte: Os Gigantestexto: Lúcia Sigalho para João Garcia Miguel, a partir de Dom Quixote de Miguel de Cervantes (best of)
III Parte: A Tragédia dos Objectos texto: Lúcia Sigalho com João Garcia Miguel,a partir de um profundo desejo de desaparição simultânea (science fiction)

A show of: LÚCIA SIGALHO e JOÃO GARCIA MIGUEL
Video collaboration: Alexandre Azinheira

Plastic Assistent: João Figueira Nogueira
Sound of A TRAGÉDIA DOS OBJECTOS: João Lucas with Lúcia Sigalho
Setting: JFN, Vitor Gonçalves, José de Castro, Pi
Light Setting: José Manuel Rodrigues

Special Thanks to: Francisco Rocha e Pedro Santos
Thanks to: Paula Sá Nogueira e Marcello Urghege, DJ Andy Punch, Grupo Desportivo do BES, Stiga, Pedro Rodrigues, Elsa Lima

Bater no Fundo is a co-production between é uma co-produção Companhia Senssurround / Olho.

D. QUIXOTE - Estreia

Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa
21 de Setembro de 2001.



Éramos todos nobres cavaleiros a atravessar mundos apanhados num sonho.
Estaremos loucos? Ou tentados pelo demónio? Pensaremos nós que dá pouco trabalho dar pontapés em livros? Acho que é por sentirmos que o teatro é a língua da alma e o lugar último da fúria. Ou, utilizando o que diz Sancho Pança, alterando-lhes o sentido, nus nascemos nus no achamos, nada perdemos tudo ganhamos, ou ainda, que não se move folha na árvore sem a vontade do vontade. O texto de Cervantes faz-nos mais do que tudo pensar no silêncio que nos envolve. Desejar que as coisas desta vida não durem sempre no mesmo estado. Que estamos todos sujeitos à vida, que hoje morremos e amanhã não. Faz-nos sentir que não há caminho, só silêncio. Que estamos contra este tempo, à espera de um tempo que virá.A fórmula da nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha recta, um objectivo. Porque o mesmo que ontem fomos somos hoje e amanhã não. Faz-nos pensar que da cavalaria andante se pode dizer o mesmo que se diz do amor, que todas as coisas iguala e que não se pode duvidar que é muito necessária ao mundo. O mundo está direito e é necessário entortá-lo.

Are we going crazy? Or being tempted by devil? Do we really believe that thrashing books is not a hard work? I think it is because we feel that the theatre is the language of the soul and the last stronghold of fury. Or, to misquote Sancho Panza, we are born naked and naked we find ourselves, we lose nothing and gain everything, and leaves from the tree do not move without the will of the wind. Cervantes’s text does more for us than any amount of thinking in the silence around us. Desiring that the things if this life will not always last in the same way…that we are all subject to life, that today we die and tomorrow we don’t. It makes us fell that there is no road, only silence...that we are against this time, waiting for a time that is coming.The formula for our happiness is: a Yes, a No, a straight line, an objective. Because we are the same today as what we were yesterday, and tomorrow we will be different. It makes us think that we could say the same thing about the knight errant as we say about love, that all thongs are equal and that there is no doubt it is very necessary in the world. The world is straight and we must bend it.



Artistic direction and Text author – João Garcia Miguel
Artistic consultancy and soundtrack creator– Alberto Lopes
Set design – Eric Costa
Costumes – Elsa Lima
Video – João Garcia Miguel / José Pelicano e Pelicano / Tiago Jorge
Light design– João Garcia Miguel e David Palma
Movement assistance – João Samões
Cast ( co-creators) – Ana Borralho / João Galante / João Garcia Miguel / Miguel Moreira / Mónica Samões / Rita Só / Teresa PrimaAssistance – Alexandra Aragon / Bárbara Odokienková / Rui Neto / Tiago Jorge
Production – Dora Lourenço, Mónica Samões

Executive production - Hugo Cortez
Press coordination – Luísa Ramos
Propaganda – José Pelicano e Pelicano
Set photography – Ricardo Nogueira Mendes
Law assistance – Maria João Sigalho
Technical direction – Eric Costa e David Palma

Construction and assembling – David Palma / Eric da Costa / José Pedro Sousa / André Almeida Decors – Eric da Costa / Abraão Tavares / José Pedro Sousa / Jorge Pereira
Make up – Jorge Bragada
Sound operation – Francisco Grilo
Machinery operator – José Pedro Sousa
Consultancy (Engineering) – José Rui Marcelino
Costumes assistant – Manuel Damião
Co-Production:
OLHO – ASSOCIAÇÃO TEATRAL, FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN – CENTRO DE ARTE MODERNA. ACARTE, TEATRO NACIONAL S. JOÃO / PO.N.T.I.


Sponsors
MINISTÉRIO DA CULTURA / IPAE

CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA
IAC - INSTITUTO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
INSTITUTO CERVANTES
HARKER SUMNER, S.A.

MECANARTE – METALÚRGICA DA LAGOA
BR SISTEMA – EQUIPAMENTOS DE ESCRITÓRIO
TARKETT SOMMER
DOUBLET
EDITORIAL PRESENÇA
RÁDIO OXIGÉNIO
RÁDIO MARGINAL
FNAC

ANOZ - Estreia

29 de Agosto de 2001

O corpo é o descentro Anoz é o oposto do mundo zona. A mentira é boa assim como tudo o que é falso é estúpido.
Os vários objectos que estamos a produzir completam-se concentricamente. Todos eles têm a sua génese nesta ideia de territórios / zonas. A ideia de procurar na forma das coisas a forma das forças, como o trocadilho do título prenuncia, transporta em si um pouco da dimensão que esta ideia despoletou em nós. Sem que a nossa primeira intenção fosse clara começámos a desenvolver uma série de conceitos que giram à volta da ideia de desterritorialização do acto de teatro. Um abusivo “design teatral" como instrumento para chegar à forma que questiona e propõe o espaço e o som da representação.
A ideia de Mal é um território em que não nos movemos e no qual nos reconhecemos. Anoz é uma ideia sobre a origem do fim, o local onde as forças se escondem e repousam imediatamente depois de morrer. Alguma coisa altera-se aqui, sentes? Eu não e tu? -- Olha se perceberes e eu não avisa-me. Na Anoz os bebés nascem nas árvores e a água está cheia de palavras. A verdade é um rio cheio de ecos vagos. Um poço onde todos vão beber.
Na Anoz se se ficar muito tempo a olhar para uma coisa fica-se diferente. O jogo é sempre o mesmo no qual o espectador vai analisando as suas capacidades de raciocínio ao longo das jogadas. É um jogo que deve ser explicado detalhadamente. Um espelho que se vai desfocando. O amor é a porta e a pergunta. Dita de uma forma natural e crua prolongando a dor até o dia nascer. Há catástrofes mas não se vêm nem se ouvem por causa do festim. É onde nada existe nem ninguém mas a vida continua. E as estórias de testemunhas que nos levam a passear pelas ruínas e se esforçam por explicar aquilo que vêm e cobram dinheiro como os guias fazem aos turistas.

O fadista
O fadista é um possuído que transporta os outros. Uma espécie de xaman que serve de autocarro para o sentimento. É preciso calar-se primeiro para depois de ouvir o seu interior, a sua voz o expressar para os outros. A emoção à beira do precipício. O sentimento, a raiz, a palavra, a alma, o tempo, a voz, os tiques.



The body is the decentralization.Anoz is the opposite of the world Zona.The lye is good, just as all that is false is stupid.
The several objects that we produce complete each other concentrically. They all have their genesis in this idea of territories / zones. The idea of seeking the form of forces in the form of things, as the pun in the title suggests, gives some notion of the dimension that this idea aroused in us. Without any clear real intention, we began to develop a series of concepts centered around the idea of deterritorialization of the theatrical act. An abusive “theatrical design" as an instrument to arrive at a form that questions and proposes the space and the sound of the performance.
The idea about Evil is a territory in which we don’t walk and in which we recognize ourselves. Anoz is an idea about the origin of the end, the place where forces hide and lie immediately after they die. Something is changing here, do you feel it? I don’t and you? – look, if you feel it and I don’t, tell me. In Anoz babies are born in trees and the water is full of words. Truth is a river full of vague echoes. A well where everyone goes to drink.
In ANOZ, if you spend too long looking at a thing it becomes different. The game is always the same, a game in which the spectator analyses its powers of reasoning through each round. It is a game that should be explained in detail. A mirror that blurs. Love is the door and the question. Uttered in a natural, unrefined way, prolonging the pain until daybreak. There are catastrophes but they are not seen nor heard because of the feast. It is where nothing and nobody exists but life goes on. And the stories of the witnesses that lead us through the ruins, trying hard to explain what they see, and charging us for it, just as tour guides charge the tourists.

The fadista
The fadista is a possessed that carries the others. A kind of Shaman used as transportation for the feeling. You must be quiet first to hear afterwards. Emotion at the edge of a precipice. The feeling, the root, the word, the soul, the time, the voice, the tics.

ZONA - Estreia

ZONA
1 de Agosto de 1999
MEMÓRIA DESCRITIVA
Festival de Teatro de Montemor-o –Velho


sinopse 1
Os vários objectos que estamos a produzir completam-se entre si em círculos sendo que o seu somatório é menor do que aquilo que representam para a Zona. Todos eles têm a sua génese nesta ideia de territórios/zonas. A ideia de procurar como o trocadilho do título prenuncia na forma das coisas a forma das forças. Cada objecto criado transporta em si um pouco da dimensão que esta ideia despoletou em nós. Sem que a nossa primeira intenção fosse claramente essa começámos a desenvolver uma série de conceitos que giram à volta da ideia de desterritorialização do acto de teatro. O vídeo é um meio que tem representado para o grupo um acessório de trabalho. Contudo esse acessório sempre revelou um certo desconforto de relacionamento com as outras tecnologias normalmente por nós empregues. com um sentido crescente de que pode Criar um mundo. Um mundo onde os homens comem pedras e as mulheres têm bebés de pão, onde a luz aparece de só de vez em quando. Aonde o exterior se confunde com o exterior e com o interior também. Um mundo uma zona de onde os homens saem de bolsos cheios de coisas enfiadas dentro de sacos de plástico, cheios com ainda mais coisas de tal maneira que os homens já não os conseguem voltar a enfiar dentro dos bolsos. Um mundo em que o tempo é um lugar comum uma espiral onde cabe o espaço todo ao mesmo tempo. Um mundo sonhado por gajos pequeninos. Um mundo inteiro igual a este só que está avariado. E as estórias de testemunhas que esforçam-se por explicar aos outros aquilo que vêm e que os levam a passear pelas ruínas e que no final lhes cobram dinheiro como os guias fazem aos turistas. Uma estória de amor. Dita de uma forma natural e crua prolongando a dor até o dia nascer.ZoNA - Perguntas e respostaso que é que para mim representa a ZoNA?

sinopse 2
“ZONA” “…apresenta-se como sendo um local com respiração própria onde se podem realizar os nossos desejos mais secretos. Está em constante alteração, o que a torna irreconhecível. Mexe-se, alimenta-se e transforma-se. Possui caminhos que se abrem e desaparecem. Fenómenos inexplicáveis que podem ser fatais para quem nela se aventura. Chuvas de prata. Tudo é realidade…”.


sinopse 3
ZONA por João Garcia Miguel
A zona é um alvo feito de círculos concêntricos de várias cores que irradiam influências e que se elevam ou se afundam. É uma esfera eterna onde o plano é obeso. É um espaço vertical. É um território onde nos movemos e no qual não nos reconhecemos. A zona é uma ideia sobre a origem que é o local aonde as forças se escondem e repousam imediatamente antes de nascer. Uma espécie de útero ou círculo ou buraco, boca ou bolso. A zona é viscosa e chupa-se. Alguma coisa altera-se aqui, sentes? Eu não e tu? Olha se perceberes e eu não avisa-me. Na zona os bebés não nascem nas árvores. Há pão no jardim. Na zona a água está cheia de palavras. E a verdade é um poço cheio de ecos vagos. Um poço onde todos vão beber água. A zona é redonda porque tem todas as faces assim como o mundo. É onde se acorda sem se adormecer. É onde não existe ninguém mas a vida continua.

sinopse 4
ZONA por João Garcia Miguel
Um planeta um sol uma luaUm velho um extraterrestre e um assassinoUm cemitério e uma maternidade. Um útero e uma fossa. A cona da mãe.Um local onde as pessoas perdem a memória e por isso passam umas pelas outras sem se reconheceremUm festim de lobosUm festim de lobos num quarto de brinquedos giganteO jogo do quarto escuroUm cerco. Um local cercado de onde ninguém se consegue escaparO lugar da culpaO paraíso reconquistadoO penico de Deus ou de um gajo muito grande que vai para ali vomitar e cagarUm parque de diversõesOu de que é que eu quero falar quando falo na ZoNA?Da sensação de culpaDo futuro com e sem pontos de interrogaçãoDas formas da forçaE das forças da formaDa influência invisível que se nos incorporaDo desejo como absoluto desejo Da testemunha. E de uma estória de amor.A zona é a mãe de todos. A grande batalha. Sempre em busca dela. Da mãe. Ruínas. Mãe. Da velhice até ao nascer do Sol.

sinopse 5
ZONA por Mónica Samões
ZONA. Uma entidade clinicamente distinta. Começa por ser uma doença benigna de infância. Depois adormece nos nervos até ser novamente reactivada. O primeiro desejo é morrer de amor. Objectos em queda livre nos intervalos de respirações mais e mais compulsivas, sonhos mal concretizados, uma morte lenta à beira da água, seduções infantis, marcas em corpos que se confundem no tempo. Nesse tempo que aparece e desaparece. Alguém fala no medo do futuro. Pois que fujam, se encontrarem maneira. Aqui pode-se sempre pensar em formas delicadas de o fazer.O segundo desejo é a transformação: Achas que me podia transformar numa bárbara, daquelas verdadeiramente selvagens, sem pudor e sem vergonha? Uma verdadeira profissional, com direito a um super cavalo que contrariasse os sentidos mais básicos das coisas. Submeter-me a jogos de morte, roletas russas, ir até ao limite do inacabado e frequentar bombas de gasolina todas as noites.O terceiro desejo ninguém sabe qual é. Sentes-te ser guiado por um mundo deslocado, quase igual ao outro mas diferente. Começas a sentir uma pequena impressão que te arranha a espinha. À medida que os dias passam a impressão cresce, invade-te outras zonas do corpo e modifica-o. Pensas constantemente na imagem de alguém que respira como tu. O terceiro desejo é-te negado porque não paras de comer.

sinopse 6
ZONA por Eric da Costa
Encontrei mais Zona em Jorge Luis Borges do que em Tarkovsky. Não há ciência na Zona, nem raciocínio. Todos os que estão aqui a dormir estão acordados noutro lado, as palavras ressoadas no presente, ditas no futuro são ouvidas no passado; e todo esse amontoado de detritos deixado pela nossa percepção nada dizem do jogo. Qualquer frase é impossível de ser dita sem que produza de imediato uma epidemia de pensamentos sem verbo, ao que nos faz semelhantes a um punhado de areia no deserto.Cada ser é um órgão de si mesmo, uma entidade semelhante. E por sua vez cada entidade é órgão de uma só substância. Quando um deles sente, todos sentem, quando um deles pergunta a dúvida é de todos, quando um deles morre todos sobrevivem.A geometria da Zona é o plano e não o ponto, e cada indivíduo que a percorra modifica-lhe a forma ao passar. Esse indivíduo não conhece a ciência tal como a reconhecemos, antes, é incapaz de determinar duas vezes o mesmo resultado para um mais um, a menos que seja dotado de memória.Na Zona toda o obra é de um só autor, o plágio é um conceito inexistente, é o tempo ele próprio que se encarrega de assinar a sua existência. A fotografia de um lugar nunca representa o ícone presente no tempo em que se premiu o obturador, antes revela a matriz de todo o tempo em nenhum espaço.Quem escrever um livro na ¦Zona, verá as suas páginas fluir sem nunca reencontrar uma palavra sua. Na Zona todas as coisas perduram enquanto as pessoas se ligam a elas, quando as pessoas morrem ou se vão embora não é incomum que essas coisas deixem de existir também. A Zona não tem ordem nem caos, e a imagem que reflecte o som da luz não revela o seu protagonismo desejado, relegada para o bastidor dos nossos dejectos, brilha para si.Há um porto na Zona, onde nenhum barco acosta de tão altos que são os seus paredões, não é provido de cabeços nem amarras.As suas pedras protegem o mar de ser esquecido. Embriagar os ouvidos dos outros com as palavras e as melodias de um terceiro, é como servir numa bandeja cerveja em copo de pé alto acompanhada de palitos de la reine.

sinopse 7
ZONA por João Galante
Então estiveste na zona. Divertiste-te?Não.Aborreceste-te?Tão pouco.Que te aconteceu na zona?Fiz uma experiência.Que experiência?A experiência da zona.E em que consiste a experiência da zona?Consiste em fazer a experiência do que é a zona.E o que é a zona?Como hei-de dizer-te? A zona é a zona.Mas suponhamos que, realmente, eu não saiba o que é a zona. Explica-me tu o que é.Nem eu sei exactamente o que é. Sinto-a, eis tudo. Até tu a devias sentir.Que queres dizer?Quero dizer que devias sentir a zona como se sente, no escuro, alguém que não se vê, que nada diz, mas que, no entanto, está presente.Não te compreendo.Devias senti-la lá em baixo, no oriente, para além do mediterrâneo, da ásia menor, da arábia, da pérsia, do afeganistão, lá em baixo, entre o mar da arábia e o oceano índico, presente e à tua espera.Mas à minha espera para quê?Para nada.Mais uma vez não te compreendo.Ou melhor, absolutamente sem qualquer motivo.Está bem. Mas ainda não me disseste o que é a zona.A zona é a zona.Diz-me isso por meio de um conceito, de uma sentença, de um slogan.Pois bem, a zona é o contrário da europa.Continuo como dantes. Era preciso que, primeiro, me dissesses o que é a europa.Prefiro encontrar uma definição para a zona. Digamos, então, que a zona é o país da religião.E é por isso que é o contrário da europa? Mas a europa também é religiosa.Não, a europa não é religiosa.E, no entanto, tem o paganismo do mediterrâneo e dos países nórdicos, o catolicismo, a reforma…Não importa. A europa não é religiosa.Então o que é a europa?Se fosse um zoniano, talvez o soubesse dizer. Como europeu isso torna-se difícil.Então, imagina que és um zoniano.Bem, como zoniano dir-te-ei: a europa é aquele continente onde o homem está convencido de viver no centro do mundo, onde o passado se chama história e a acção é preferida à contemplação; a europa é onde se pensa, vulgarmente, que a vida vale a pena ser vivida, onde sujeito e objecto convivem em boa harmonia e duas ilusões como a ciência e a política são tomadas a sério, onde a realidade nada esconde, quando ela própria, afinal, nada é. Que tem a europa a ver com a religião? João Galante d´aprés Alberto Moravia

sinopse 8
ZONA por Ana Borralho
A alma da Zona. Sempre em busca dela.A Zona é um manicómio de caricaturas. Como a verdade, um poço, mas um poço sinistro cheio de ecos vagos, habitado por vidas ignóbeis, viscosidades sem vidas, lesmas sem ser, ranho de subjectividade.Eu parti? Eu não vos juraria que parti. Encontrei-me em outras partes. Não vos posso jurar que fui eu que a visitei talvez tenha sido ela a visitar-me. Dei comigo a mudar quanto ao nível da consciência, comecei por sentir uma sensação de total imersão, tive a impressão que o tempo passava mais lentamente, à medida que a minha consciência crescia para um ponto de vista mais elevado e poderoso.Deixei de compreender se o efeito das minhas intenções alterava o universo físico ou se era uma influência invisível que se me incorporava. Respondi que não sabia bem o que fazer mas que me apetecia qualquer coisa estranha. Qualquer coisa estranha que substitua o medo. Disse-lhe que sim , que se tivesse oportunidade de largar tudo e ir para a zona, despedia-me de todos. Inteligência a mais ou amor a menos? O céu era muito grande e adormecia facilmente nesta época do ano. Parei de respirar. Fui e voltei várias vezes, à procura de uma intimidade como resposta ao mundo, acreditei sempre no meu regresso, até que um dia tive muito sono e não me apeteceu voltar. Será mesmo que nunca desembarquei de mim?Estranho, estranho, tudo muito natural quando nada na cabeça parece real, não é óbvio o sentido das coisas e das palavras mas é preciso fazer de conta, simplesmente dá vontade de vomitar o hábito para bem longe dela. É preciso ter calma e ir deixando mensagens. Aguardo que por aqui aconteça por aqui a explosão. Ou um abraço tão forte que me sufoque, por aqui. Será que se fechar os olhos conseguirei voltar ao princípio?O que dorme está vivo mas eu não dormi, ou se sonhei estava bem acordada, relaxei o corpo sobre a terra e deixei de o sentir. Não sentia o meu corpo mas sentia pernas, braços, sexo, vontade de suspirar, medo de me assustar, ouvia e via com a cabeça. Pensava muitas vezes se não estaria a ser manipulada. Tanta energia misturada num só lugar, tanta atracção imprevisível.E a coisa desaparece repentinamente não se sabe porquê, por aqui. Mas recomeça novamente e repete-se por aqui a dentro até se confundir aqui. Adivinhando por aqui o que se vai seguir. A porta está entreaberta e pressinto que a coisa está do outro lado por aqui, a tactear à procura de um interruptor. – Aquele cai sempre no mesmo erro, o erro da campainha. Toca sempre onde está a luzinha. A luz que nos atrai. Está escuro, existem dois interruptores, queres luz mas a luz que nos cega é uma armadilha e tocas na campainha do vizinho.As palavras saem incompreensíveis. Mas saem na mesma. Pelo meio a confusão e os sentimentos misturados com aquela musica de fundo e uma bateria, que me acompanha sempre, para manter o ritmo.Não se via nada. Podia ser, ao mesmo tempo, um buraco e uma montanha. Lembrei-me de um gajo que uma vez me disse: - …a zona é sempre em nós! - Não achei graça nenhuma. – Podes dizer tudo outra vez? Sabem da existência uns dos outros? Nesta altura eu convivia mal com a solidão.Estive todo o dia sem o saber. Onde estou quando não estou em lugar algum nem minha imaginação? Podia ficar calada, hoje o dia todo.Somos muitos mas eu não estou ainda, não entrei. Só alguns é que podem entrar. Mas ainda ninguém entrou.E vejo-a pela janela. E eu sinto que gosto dela. Que gosto dela e da cadela. Estarei eu pronta a reconhecê-la constantemente? E se eu decidir ficar? Estarei pronta a ignorar todas as contradições do meu estômago? Será por uma questão religiosa? A bíblia diz-nos como ir para o céu mas não nos diz como vão os céus.Encontrei o meu ponto e esperei muito tempo, até que por fim chegou. Mandei-o brincar, passados poucos minutos voltou, sentou-se a meu lado e ficamos muito tempo, em silêncio, a olhar para o mar. É preciso ver que ele ainda é um miúdo. Entendemo-nos perfeitamente. È genial como tudo o que é infantil. E os outros que aparecem só para confundir um pouco mais a paisagem? Também eles estão com medo. Têm medo, as cabeças ….Como é devido. Olham para este abismo sem fundo e sabem que inevitavelmente vão ter de descê-lo. Mas como descer? O que é que está lá no fundo? E, sobretudo, como voltar a subir?Que tudo siga o seu caminho; vamos viver numa suave ondulação o melhor que pudermos. É verdade aquilo que ele disse: o acto mais heróico da humanidade é ter sobrevivido, e ter a intenção de continuar…Se estiver cansada talvez durma Um risco muito direitinho, vertical, mais escuro que o escuro.A luz que sai do corpo.A mãe está a morrer as pedras serão os seus filhos. Acendi um fósforo e vi-me do outro lado.Ponha aqui a sua mensagem.Um dia hás-de falar contigo. No final tudo melódico.

sinopse 9
ZONA por Rita Só
Esboços sinopse ZONA Rita Só não mexe no pé.Descascaram os cinco uma banana num acto de estranheza, comeram a banana até ao fim e esperaram, nada mudou. Tudo se manteve igual a si mesmo. Eles iguais a eles mesmos só que alerta. A sensação de lá estar é semelhante à sensação de aqui estar? A andar com ela agarrada ao corpo, a coisa agarrada ao corpo e nem sequer saber. Impregnada de zona e a andar. Aqui não escondemos nada, temos medo mas não escondemos nada. Alguma coisa altera-se, sentes? Eu não e tu? Olha se perceberes e eu não avisa-me.A repetir-se, a Zona, estranhamente desigual, a tirar-me calor, a propagar-se como uma doenga ou não, como um milagre ou não. Olhou para mim e agarrou-me como se já me conhecesse. Não a conheço, nunca a vi mais roxa. Coisas estranhas que acontecem: suicídios; alguém que está na varanda, a varanda cai e a pessoa morre; loucos a tocar sem instrumentos a dançar sem música; visões; objectos que se mexem sozinhos, que se desfazem quando lhes tocas e o meu corpo habitado por um anjo mascarado de demónio que não te obedece, que não me obedece._ Am I a butterfly dreaming that I am a man?_Não sabes que o efeito pode produzir em ti, pode estar agarrado à carne, podes esfregar-te até ficares sem pele?Felicidade para toda a gente? Gratuita? Toda a felicidade possível. Gratuito! A felicidade! Gratuita. Cuidado.É-se visitado por algo, aconteceu assim como um desmaio, uma quebra de tensão, estas tão branca que pareces morta. Lembras-te como é que nasceste? Não, deve ter acontecido em algum desmaio. Fechou-se em casa dois dias seguidos, não atendeu o telefone e fechou as persianas com medo mas à espera de ser visitada. Certificou-se. De certeza que eles passariam através das portas fechadas. Desde aí um tempo para cá, a coisa funcionava de maneira diferente, punha a mão na cabeça, localizava com a ponta dos dedos as memórias de que não gostava, tocava-lhes de novo e estas desfaziam-se em pó.

sinopse 10
ZONA por Filipa Francisco
O medo. Tenho medo de quê?. Deste espaço que me rodeia, dentro e fora, até da respiração. Há coisas estranhas a acontecerem. Coisas que saem de dentro, dentro de mim, de dentro das pernas, filhos, amo-os tanto que os como, chupo. A Zona é a mãe de todos. Serei eu a mãe ou filha da mãe ou produto da zona para procriar. Um desejo constante, por mim, porque não há mais ninguém à volta. Onde estão? Desejo e repudio esta zona que não conheço. Uma voz off que sou eu diz: O tempo parado…tenho medo desse sopro, porque não gosto dele, I’ll run to tie your shoe.As pedras são as minhas melhores amigas, amantes, filhas. Ás vezes assumo posições físicas que não controlo. Fico só numa perna como um pássaro-egipcío-eremita, uma posição que chamo de bird-nijinsky-Simão do deserto. O meu corpo como zona. Mexo a cabeça descompassadamente, abro os braços e fecho-os como num suspiro. Não, a maior parte das vezes abro as pernas, muito, tanto que caem coisas: pedras, agulhas, flores, chaves. Chaves? Mas de que portas? A zona tem portas? Eu quero sair, não quero entrar, não, entram por mim adentro e esquecem-se de coisas, essas coisas devem fazer-lhes falta! Às vezes as coisas que tiro de dentro alteram-se e começam a cair, de cima para baixo, chuvas de objectos. O meu corpo cheira a… é como se mil jardins se levantassem. Ás vezes queria que tudo parasse. Tirem isto de mim. A zona é uma coisa cheia de desejos. Quero agradar-lhe, não sei como. Queria um vestido dourado, comprido, assim ás vezes quando caíssem coisas ninguém notava. Ás vezes não resisto e como tudo, não, não engulo, só chupo. Há coisas a acontecerem fora de mim, mas eu só penso em mim…Não me consigo mexer, lembro-me de mim sempre a correr e agora parece que fui metida numa pintura, só olho e deixo que me olhem.As coisas decorrem assim, por contraste e contradição. Quando me mexo, na verdade não me mexo ou não me quero mexer, o que vem da barriga é esta desfocagem em relação ao exterior. Não saber por onde sair, nem por onde entrar, o que foi antes ou depois. Há sempre uma expectativa sobre o próximo encontro e quando acontece finjo que os conheço, irrito-me e rio como se soubesse o que estou a fazer. Descrevo estas coisas para me ajudarem porque quando acordei já aqui estava.Quando olhei para o lado já tudo tinha desaparecido, tinha a sensação que havia uma arma e alguém tentava insistentemente, irritantemente vestir um casaco. Disparei numa fúria e tentei ganhar o jogo do braço de ferro, mas perdi. No caminho deixei de ver as minhas pedras, encontrei-as mais tarde como mortas, estaria eu morta?Como aquele gajo que subiu ao Everest e ficou sem falanges ou então quando quis apreciar a sua conquista e não tinha suficiente oxigénio. Assim aparvalhado, cheguei, coloquei a bandeira, bati uma pívia. Não, não conseguia meter a mão dentro do fato. Se o tivesse feito estaria hoje sem caralho.Vale a pena morrer?.Afinal gosto desta sensação de pintura. Estou parada e repito outra vez, olho e deixo que me olhem. Contrariar todos os meus feixes nevrálgicos. Os meus nervos em pulgas, parem meus queridos filhos da puta!.

sinopse 11
ZONA por Dora Lourenço
Na Z o n a existe um fundo negro que se cola aos olhos, a partir do qual todos os objectos se tornam coisas diferentes de si próprias, sem nome, sem função, longe da percepção, muito perto da imagem desnudada de um não lugar. O que é bom ou belo pode tornar-se inesperadamente mau ou feio, não há chão, o chão muda constantemente, deixa de existir. Os meus olhos não são os meus olhos porque não existem olhos, existe uma outra coisa que vê sem de facto ver, é um olho-umbigo, um olho feito de pele translúcida, aprende-se a tactear com ele , um olho-pele. Depois disto percebemos que existem os sensores secretos para coisas com vida sem vida: coisas, muitas coisa, mas que nome têm? Não se pode chamar por elas, e mesmo se pudesse, elas não respondiam, pois não sabem da sua própria existência. Temos de as adivinhar, para sobreviver, às vezes não se pode respirar - a respiração tem sempre uma cor na Z o n a , uma cor que nos (a)trai, que tem a densidade de uma gravidade humana. Os objectos-coisas explodem em todas as direcções à mínima variação de temperatura e de humor. Não confiam e nós também não podemos confiar. São objectos com funções desconhecidas, nuvens de objectos que mudam as nossas memórias, sem deixar rasto.Olha para dentro da pele e espera.Agora já podes respirar.

“Lying is good, just as all that is false is stupid”.
Life is the fault of fate. The cause of insatisfaction is life and it is fadista’s fault. What can I do except sing fado? Everyone is in mourning. The fadista is possessed, a kind of shaman who transports the others to sentiment. You must be quiet first to hear afterwards. The voice is emotion on the edge of precipice. Again, shy words. The guitar is a hammer and the voice a cave, a captive animal, and it almost hurts to hear it breathe. At the end, the howl, the animal dead, blood gushing, the eye fixed on the infinite and still alone.
Without any clear initial intention, we began to develop a series of concepts centred around the idea of deterritorialization of the theatrical act. An abusive theatrical design as an instrument for arriving at a form, that questions and proposes the space and sound of the performance.

Colaboraram na realização deste trabalho
ALBERTO LOPES
ANA BORRALHO
DAVID PALMA
DORA LOURENÇO
ELSA LIMA
ERIC DA COSTA
FILIPA FRANCISCO
FILIPA HORA
FRANCISCO ROCHA
FREDERICO BRANCO GOMES
JOANA LOPES
JOÃO GALANTE
JOÃO GARCIA MIGUEL
JORGE BRAGADA
JOSÉ PELICANO E PELICANO
LÚCIA MARQUES
LUÍS FIRMO
MARIA JOÃO SIGALHO
MÓNICA SAMÕES
RITA SÓ
RUI VIANA
SOFIA FERNANDES

apoios: Ministério da Cultura; Câmara Municipal de Almada; Clube Português de Artes e Ideias; Sociedade de Decorações Henriques & Rodrigues; Icomatro; Movifil; Mecanarte; Wurt; Prindil; Mecânica Piedense; Bicc Cel-Cat; Quimar; Euromola; PFAFF; M. Rôlo Lda.; Marques & Frederico; Aldeco; Black & Decker; Santos, Irmão & Marques Lda; Henkel Ibérica, S.A.; Robbialac; B.EL.EF Confecções e Têxteis, Lda.



ESTRADA - Estreia

Armazéns Abel Pereira da Fonseca,
de 25 a 28 de Novembro de 1998

Partindo do conceito de ESTRADA como motivação, este espectáculo tem como base as experiências humanas que as mesmas nos evocam / suscitam / revelam / provocam. O resultado da abordagem efectuada é um espectáculo que se desenvolve a partir duma história: A família do Imperador e da coelhinha vão passear e têm um acidente. Enquanto estão inconscientes, aparecem uns marcianos que os levam nos seus belos automóveis até ao céu. No céu não há buracos. Mas também não há estradas. Anda tudo a voar como se passeassem num Domingo à tarde. O pior é o fumo que os incomoda imenso e lhes faz arder os olhos. Quando voltam à Terra está tudo no mesmo sítio.A intenção foi a de transformar as nossas observações e as nossas memórias numa outra linguagem que depois transportamos para o palco. O espectáculo é em si mesmo uma porta aberta nos métodos utilizados, e é concebido e desenvolvido com base na interacção entre os diversos actuantes - de distintas motivações e disponibilidades, e o público. A criação do espectáculo acompanha, assim, o trabalho de pesquisa.Na sua realização são utilizados meios pirotécnicos e estruturas cenográficas móveis accionadas pelos intérpretes, num trabalho onde circulam também contradições interdependentes como o amor e o ódio, encontros e desencontros, ser simples e profundo, a noite e o dia, ser triste e alegre, as cidades e o campo, o céu e a terra, o passado e o futuro.O resultado final é uma construção com imagens vivas, de estórias e situações encontradas e recriadas. Uma espécie de devolução de um livro que nos emprestaram e no qual fomos inscrevendo notas à margem, desenhos, esquemas e mapas. Reescrevemos por cima capítulos inteiros ou arrancamos folhas para dar o número do telefone.

Starting from the concept of ROAD as motivation, this show stands on what the human experiences evoke / suggest / reveal / provoke.
The result of the approach is a performance that develops through one story: “The Emperor’s family and its little rabbit go for a walk and have an accident. While they are unconscious some Martians show up and take them to heaven in their fine automobiles. In heaven there are no holes. But there are no roads either. Everything flies as if they were walking about on a Sunday afternoon. The worse thing is the smoke that bothers them a lot and burns their eyes. When they get back to earth, everything is still the same.”




Direcção Artística- João Garcia Miguel
Intérpretes- Ana Borralho; Filipa Francisco; João Galante; Miguel Borges; Miguel Moreira; Rita Só; Teresa Prima
Direcção Técnica- David Palma
Assistente Técnico- José Pelicano e Pelicano
Apoio Técnico- Alexandre Ferreira
Cenografia- Eric Costa
Sonoplastia- Rui Viana
Caracterização- Jorge Bragada
Figurinos- Elsa Lima
Assistentes- Sílvia Ferreira; Patrícia Romão
Direcção Produção- Luís Firmo
Assistentes- Filipa Hora; Frederico Branco; Mónica Samões
Pirotecnia- Pirotec
Design Gráfico- João Galante; Paulo Samões

Apoios- Ministério da Cultura; Câmara Municipal de Almada; Câmara Municipal de Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian; Carris; Absolut Vodka; LUX; Mirasete, Artes Gráficas Lda.

MUDA - Estreia

Espaço do Ginjal
23.10.1997 - 23.11.1997

A quinta criação do Olho foi apresentada no Espaço Ginjal de 23 de Outubro a 1 de Novembro e de 18 a 23 de Novembro de 1997. Contou com posteriores apresentações na Sala da Alfândega, no âmbito do Po.N.T.I. (Festival-Internacional-Teatro-Porto-Natal) a 15 e 16 de Dezembro de 1997.

METODOLOGIA
A metodologia artística utilizada na MUDA assentou na absoluta ausência de pressupostos, de forma a possibilitar o aparecimento de novos ou que fossem apenas uns quaiquer reconhecíveis.
O espectáculo foi concebido a partir de um entendimento da sua estrutura global, o qual se traduziu na construção de uma estória simples de encadeamento de situações de uma vida normal, conceito que foi também aplicado à própria instalação de cena, abrangendo os elementos de cenografia, som, luz e figurinos.
O espaço foi ocupado com um armário transparente e uma chuva constante, a qual pretendeu criar no chão um reflexo simétrico ao que os actores fazem no palco como se houvesse um mundo semelhante ao nosso logo por debaixo dos pés, ligeiramente distorcido e indecifrável.
Os figurinos são compartilhados por diferentes actores em diferentes cenas e situações, de forma a enfatizar uma certa igualdade inconsequente.

INTENÇÃO GERAL
Eu estou calado e continuo a ouvir-me falar
MUDA deu início a um processo de questionamento dos métodos utilizados pelo Olho ao longo de todo o seu trajecto e processo criativo. Tendo apenas como ponto de partida a vontade de nos silenciarmos para nos escutarmos e o gosto de construção de um todo que tivesse o encanto de alguns filmes mudos pela qualidade simbólica das imagens sem som, identificámos um desejo que nos permitiu criar pistas para a construção de um espectáculo.
A nossa intenção é obrigarmo-nos a reflectir sobre o que somos e o que queremos fazer em termos teatrais.
É um trabalho em que a viagem de retorno efectuada nos aproxima de tal forma da realidade que, por vezes, temos necessidade de mandar parar o jogo, de tal maneira nos sentimos perdidos dentro dele.

A IDEIA
Este trabalho radica-se na necessidade de reflexão sobre aquilo que legitima uma obra teatral.
MUDA parte do desejo de aproximar a forma teatral às formas de pensamento.
É uma obra que se debruça sobre a linguagem, fazendo recurso à utilização de modelos de outras disciplinas para mais adequadamente descrever as complexidades do mundo e, em simultâneo, responder à necessidade de olharmos o teatro de outros pontos de vista.
É a estória de uma personagem muda que morre e ressuscita em triplicado. Três vezes. A minha cabeça anda nas ideias de muita gente. O ser humano é fraco demais para ser realmente bom. e é bom demais para ser realmente mau. É apenas fraco, e maldoso por fraqueza.
O invisível tem de ser compreendido através do visível.
Direcção Artística - João Garcia Miguel
Dramaturgia - João Garcia Miguel
Instalação de Cena - João Garcia Miguel e Eric Costa
Figurinos - Elsa Lima
Assistência de Figurinos - Vitalina Sousa
Desenho de Luz e Banda Sonora- João Garcia Miguel
Vídeo- Edgar Pêra e AKademya Lusoh-Galaktika
Assistência Técnica - Isaac Carlos; Ângelo Cabral e José Pelicano
Luminotecnia- David Palma e Rui Maia
Caracterização - Jorge Bragada
Sonoplastia- João Hilário
Produção Luís Firmo
Assistente de Produção - Mónica Samões
Colaboradores - João Fiadeiro; Francisco Rocha; Susana Durão; João Samões; José Carlos (Formiguinha) e Ivone Tavira
Interpretação - Ana Borralho; Maria Radich; Miguel Borges; Mónica Samões e Rita Só

Apoios-Ministério da Cultura / IPAE; Fundação Calouste Gulbenkian; Câmara Municipal de Almada; Caminhos de Ferro Portugueses; Paulo Inácio; Orbivendas; Gardenia.

Imago

Imago
Dezembro de 1995
Público.

GUERREIRO- Estreia

Centro Cultural da Malaposta / Teatro Municipal de Almada
Estreia. 1 de Setembro de 1995

1. É um trabalho que se debruça sobre as formas de oposição e integração entre o individual e o colectivo e a manipulação da comunicação do corpo e da razão. É um enorme desejo de liberdade, um jogo onde podemos entrar. O nome do jogo poderia ser assim "qual é o nome do local para onde todos queremos ir?"

2.O idiota sentado no topo da figueira comia figos e dizia à mulher de barba, afastando as moscas com a mão livre! Agitada é a fronteira do mar do céu tranquilo em mim. Eu gosto de fronteiras e acho que elas devem existir. A fronteira são os lábios que se beijam ou o nariz que se esmurra esmagando os ossos. Eu gosto de caminhar sobre as fronteiras, pisá-las, sentir-lhes o gosto, abraçá-las, lambê-las com a língua, sentar-me em cima delas.
3. O corpo (imago) como fronteira entre eu e o mundo, entre o real interno e externo, que te tatua a intimidade que te violenta as fronteiras, que te culturaliza o corpo.







Synopsis1.
It’s a work on the ways of opposition and integration between the individual and the collective and the manipulation of communication of the body and mind. It’s an enormous wish for freedom, a game we can play. The name of the game might be “which is the name of the place where we all what to go?”


Synopsis2.
The idiot sitting on the top of the fig-tree was eating figs and telling the beard woman while putting the flies away with his free hand: Troubled is the border of the sea of heaven quiet in me. I like boarders and I think they should exist. The border are the lips that kiss or the nose that is punched crushing the bones. I like to walk on the borders, to step on them, to feel their taste, to hold them, to lick them with the tongue and to sit on them.

Synopsis3.
The Body - Imago - as the boarder between the self and the world, between the internal and external real, the one that tattooes your intimacy, that rapes your boarders, that culturalizes your body.

Direction and Plastic Concept - João Garcia Miguel
Text - João Garcia Miguel (from Alexandre Dale and Thomas Morus)
Dramaturgy - Alexandre Crespo
Bibliographic Adviser - Carlos Flor
Sound Track - João Garcia Miguel, Fernando Gerardo, Otelcana
Scenography - Eric Costa
Scenography Assistent - Ângelo Cabral, João Hilário
Decorators - Abraão Tavares, Alberto Sarti, Ângelo Cabral, Eric Costa, João Hilário, Sílvia Isidro, Elsa Lima, Rafaela Mapril
Actors - Alexandre Crespo, Ana Borralho, Filipa Francisco, Patrícia Freire, Rita Só, João Samões, Jorge Emanuel, Mónica Samões, Sofia Gonçalves, Sérgio Miguel, Lúcia Sigalho, Claúdia Rodrigues
Light Design - João Garcia Miguel
Light Technicians - David Palma, Pedro Machado
Electricians - Alberto Sarti, Renato Vieira
Make Up - Jorge Bragada
Costumes - Elsa Lima, Rafaela Mapril
Costumes (III Act) - Elsa Lima, Rafaela Mapril, João Garcia Miguel
Costumes Assistents - Mónica Samões, Sónia Marques, Claúdia Rodrigues
Photograph - Fernanda Campos
Design - João Miguel Vinagre
Production - João santos
Settings - Olho
Production Assitents - Cláudia Jorge, Lúcia Marques, Lúcia Sigalho

Thanks - Pedro Santos, Maria Antónia Osório de Castro, Amadeu Garcia dos Santos, canibalismo Cósmico, João Miguel Vinagre, Teatro Extremo, Joaquim Marques, Arminda Samões, Idalina barão, Sandra Lourenço, Mário Neves, Pedro e Vera Gil, hegek, Galeria ZDB, Lucinda Letra, Ricardo Resende, Moreno, Rodrigo Miragaia, TNDMII, José Manuel Castanheira e Hamlet

Apoios- Câmara Municipal de Almada; Fundação Calouste Gulbenkian; Lémauto; Apadil; Dial; Associação Académica de Lisboa; Black&Decker; Bosch; Bostik; Caminhos de Ferro Portugueses; Instituto Português da Juventude; VPL.

HUMANAUTA - Estreia

Armazém Lémauto

1 de Julho de 1994


Humanauta tem como ideia de partida a sobrevivência do Homem depois da morte do sol. É uma obra de ficção que prolonga as faculdades do corpo e do espírito retransformando-as, reciclando formas e tornando as funções ambíguas mais aptas a sobreviver às transgressões do tempo.
Fizémos uma aproximação à guerra,à indústria pesada, ao virtual, à dança de S. Vito e à decomposição biológica dos seres, tendo em vista a aceleração do movimento de expansão do Universo.

E se houver uma forma superior de mimetismo consciente, uma forma que nenhum ser humano, ou poucos, tenham detectado? E se ele só puder ser detectada se o quiser?

Utilizámos todas as fontes de informação disponíveis, desde o som da água a ferver até às teorias quânticas contemporâneas.
O espectáculo é o desenho de um mapa que se percepciona no absoluto construir de novos impossíveis.
Alguns biólogos têm especulado sobre a possibilidade de existência de formas superiores de mimetismo, uma vez que as formas que enganam os que querem enganar (mas não a nós, os humanos) foram encontradas em todas as partes do mundo.

MEMÓRIA DESCRITIVA
Na travessia do barco todos têm medo, mas os meninos têm pavor. Das águas eleva-se o espírito do rio.
Saltam peixes eléctricos. O barco desliza suavamente sobre o rio.
As águas parecem mercúrio sob o céu cinzento. Mãe. Este mar vai dar onde?
Ao lugar que nos espera.
Àquele a que pertencemos?
Àquele que vamos ainda descobrir.


Encenação / Argumento - João Garcia Miguel
Dramaturgia - Alexandre Crespo e João Samões
Cenografia - Eric da Costa; João Garcia Miguel;
Figurinos - Rafaela Mapril; Elsa Lima
Música/ Sonoplastia - Fernando Gerardo; João Garcia Miguel; Miguel Costa; Pedro Soares
Luminotecnia - David Palma
Aderecista - Eric da Costa
Assistência de Encenação - Claúdia Gama
Laboratório Voz - Susana Vasconcelos
Laboratório Corpo - Filipa Francisco
Análise de Improvisação - Dora Lourenço
Assistência de Montagem - Miguel Ângelo; Nuno Moreira
Atelier de Modelagem / Costura - Isabel Lopes Dias; Sónia Marques
Assistência Adereços - João Samões; Miguel Ângelo;Nuno Moreira; Paula Hespanha; Rita Pereira
Maquilhagem - Jorge Bragada e Cláudia Gama
Design Gráfico - Rodrigo Miragaia
Colaboradores Permanentes - Espaço para Criar; Zé Maria; Direito a respirar
Aconselhamento Conceptual - Rui Silvares (poético); Carlos Flor Dias (horticultura); Pedro Eloy Duarte
Fotografia - Paulo Valente
Vídeo - Ricardo Resende
Produção - Claúdia Gama
Assistente de Produção para Imprensa - Auta de Paula
Secretariado - Alfredo Nunes; Fernando Gerardo
Direcção Geral / Artística - João Garcia Miguel

ELENCO
Alexandre Crespo; Alfredo Nunes; Ana Borralho; Ana Filipe; Auta de Paula; Bernardette Martins;Claúdia Gama; Dora Lourenço; Duarte Nuno; Eric da Costa; Filipa Francisco; Joana Calhau; João Garcia Miguel; João Samões; Jorge Emanuel; Lúcia Marques; Manuel Dourado; Mário Neves; Miguel Moreira; Mónica Carneiro;Mónica Samões; Nury Ribeiro; Patrícia de Oliveira; Rita Só,Rita Pereira; Rodrigo Cortês; Rodrigo Machado; Rui Roque; Sandra Gonçalves; Susana Matos; Susana Vasconcelos.



Apoios:Lémauto; Câmara Municipal de Almada; Clube Português Artes e Ideias; Fundação Calouste Gulbenkian; Instituto da Juventude; Junta de Freguesia do Laranjeiro; Omnicel; Bosch; Black & Decker; Bostik; J.B. Fernandes; Blitz; Diário de Notícias;Luzeiro; Lunática, Filme e Vídeo; Mary Chor; Transtejo; SIC


7 de Julho de 1994
in público, Guerra futurista em Cacilhas


No vasto e desabitado espaço de um velho armazém situado frente aos estaleiros da Lisnave, em Cacilhas, um grupo de teatro chamado Olho - revelado no ano capicua de 1991, ainda com o nome de GIC Grupo de Intervenção Cultural - treina-se para a guerra pós-apocalíptica.
Do trabalho realizado pelo grupo entre 1991 e 1994 destacam-se as frequentes participações em actuações teatrais de rua, nas Festas da Cidade de Lisboa. O Olho é hoje o projecto mais coerente neste género de espectáculo e o que mais tem aprofundado a miscegenação do teatro com a dança e as artes plásticas.
\"Humanauta\", a performance que hoje pode ser vista no armazém de Cacilhas obriga o espectador a participar numa expedição por espaços e tempos onírico-caóticos, entre cataclismos e incêndios cósmicos, pântanos e destroços de guerras galácticas, girassóis enforcados e criaturas minotáuridas (sobreviventes de \"El\", o primeiro trabalho do Olho), veículos-prisões e naves anfíbias. Deambulamos num mundo em que os humanóides são os lobos dos outros humanóides e os monstros armam emboscadas aos monstros. Entre eles há um cujo discurso vem nos \"Lusíadas\", no episódio do Adamastor, quando este diz que há-de tirar vingança de quem o descobriu.
Sobrevivem, assim, neste mundo calcinado restos de velhas epopeias humanas. E até mesmo músicas madeirenses, dançadas por seres paramentados como os caretos transmontanos. E abundam as citações quer de \"El\", o primeiro trabalho do grupo, quer de algumas das acções de rua acima referidas.
A ideia geral que fica desta \"performance das performances\" - esta \"obra completa\" do Olho, se preferirem - é a do amadurecimento do grupo. Por vezes, nota-se uma tendência para a cristalização. O que não é defeito. A companhia criada e animada por João García Miguel sabe que o seu projecto artístico é consistente e o espectador não terá dificuldade em perceber que assim é se for hoje, amanhã ou no sábado, às 22h45, ao nº 27 da Avenida Aliança Povo - MFA. Não se vai arrepender.