BATER NO FUNDO - Estreia
14 de Setembro de 2002
A intenção é a co-criação de um espectáculo entre o Olho e a Senssuround, contando com a interpretação de João Garcia Miguel e Lúcia Sigalho, para além de outros intérpretes.Lisboa, uma metrópole Europeia, dividida por um rio. Uma cidade duas margens. Um homem e uma mulher, dois percursos que se vão distanciando e que se tocam num ponto. O Norte e o Sul.
I Parte: Caixa Pretatexto: Lúcia Sigalho, a partir de A Gaivota de Anton Tchekov (reescrita)
II Parte: Os Gigantestexto: Lúcia Sigalho para João Garcia Miguel, a partir de Dom Quixote de Miguel de Cervantes (best of)
III Parte: A Tragédia dos Objectos texto: Lúcia Sigalho com João Garcia Miguel,a partir de um profundo desejo de desaparição simultânea (science fiction)
A show of: LÚCIA SIGALHO e JOÃO GARCIA MIGUEL
Video collaboration: Alexandre Azinheira
Plastic Assistent: João Figueira Nogueira
Sound of A TRAGÉDIA DOS OBJECTOS: João Lucas with Lúcia Sigalho
Setting: JFN, Vitor Gonçalves, José de Castro, Pi
Light Setting: José Manuel Rodrigues
Special Thanks to: Francisco Rocha e Pedro Santos
Thanks to: Paula Sá Nogueira e Marcello Urghege, DJ Andy Punch, Grupo Desportivo do BES, Stiga, Pedro Rodrigues, Elsa Lima
Bater no Fundo is a co-production between é uma co-produção Companhia Senssurround / Olho.
D. QUIXOTE - Estreia
21 de Setembro de 2001.
Éramos todos nobres cavaleiros a atravessar mundos apanhados num sonho.Estaremos loucos? Ou tentados pelo demónio? Pensaremos nós que dá pouco trabalho dar pontapés em livros? Acho que é por sentirmos que o teatro é a língua da alma e o lugar último da fúria. Ou, utilizando o que diz Sancho Pança, alterando-lhes o sentido, nus nascemos nus no achamos, nada perdemos tudo ganhamos, ou ainda, que não se move folha na árvore sem a vontade do vontade. O texto de Cervantes faz-nos mais do que tudo pensar no silêncio que nos envolve. Desejar que as coisas desta vida não durem sempre no mesmo estado. Que estamos todos sujeitos à vida, que hoje morremos e amanhã não. Faz-nos sentir que não há caminho, só silêncio. Que estamos contra este tempo, à espera de um tempo que virá.A fórmula da nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha recta, um objectivo. Porque o mesmo que ontem fomos somos hoje e amanhã não. Faz-nos pensar que da cavalaria andante se pode dizer o mesmo que se diz do amor, que todas as coisas iguala e que não se pode duvidar que é muito necessária ao mundo. O mundo está direito e é necessário entortá-lo.
Are we going crazy? Or being tempted by devil? Do we really believe that thrashing books is not a hard work? I think it is because we feel that the theatre is the language of the soul and the last stronghold of fury. Or, to misquote Sancho Panza, we are born naked and naked we find ourselves, we lose nothing and gain everything, and leaves from the tree do not move without the will of the wind. Cervantes’s text does more for us than any amount of thinking in the silence around us. Desiring that the things if this life will not always last in the same way…that we are all subject to life, that today we die and tomorrow we don’t. It makes us fell that there is no road, only silence...that we are against this time, waiting for a time that is coming.The formula for our happiness is: a Yes, a No, a straight line, an objective. Because we are the same today as what we were yesterday, and tomorrow we will be different. It makes us think that we could say the same thing about the knight errant as we say about love, that all thongs are equal and that there is no doubt it is very necessary in the world. The world is straight and we must bend it.Artistic direction and Text author – João Garcia Miguel
Artistic consultancy and soundtrack creator– Alberto Lopes
Set design – Eric Costa
Costumes – Elsa Lima
Video – João Garcia Miguel / José Pelicano e Pelicano / Tiago Jorge
Light design– João Garcia Miguel e David Palma
Movement assistance – João Samões
Cast ( co-creators) – Ana Borralho / João Galante / João Garcia Miguel / Miguel Moreira / Mónica Samões / Rita Só / Teresa PrimaAssistance – Alexandra Aragon / Bárbara Odokienková / Rui Neto / Tiago Jorge
Production – Dora Lourenço, Mónica Samões
Executive production - Hugo Cortez
Press coordination – Luísa Ramos
Propaganda – José Pelicano e Pelicano
Set photography – Ricardo Nogueira Mendes
Law assistance – Maria João Sigalho
Technical direction – Eric Costa e David Palma
Construction and assembling – David Palma / Eric da Costa / José Pedro Sousa / André Almeida Decors – Eric da Costa / Abraão Tavares / José Pedro Sousa / Jorge Pereira
Make up – Jorge Bragada
Sound operation – Francisco Grilo
Machinery operator – José Pedro Sousa
Consultancy (Engineering) – José Rui Marcelino
Costumes assistant – Manuel Damião
Co-Production:
OLHO – ASSOCIAÇÃO TEATRAL, FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN – CENTRO DE ARTE MODERNA. ACARTE, TEATRO NACIONAL S. JOÃO / PO.N.T.I.
Sponsors
MINISTÉRIO DA CULTURA / IPAE
CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA
IAC - INSTITUTO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
INSTITUTO CERVANTES
HARKER SUMNER, S.A.
MECANARTE – METALÚRGICA DA LAGOA
BR SISTEMA – EQUIPAMENTOS DE ESCRITÓRIO
TARKETT SOMMER
DOUBLET
EDITORIAL PRESENÇA
RÁDIO OXIGÉNIO
RÁDIO MARGINAL
FNAC
ANOZ - Estreia
O corpo é o descentro Anoz é o oposto do mundo zona. A mentira é boa assim como tudo o que é falso é estúpido.Os vários objectos que estamos a produzir completam-se concentricamente. Todos eles têm a sua génese nesta ideia de territórios / zonas. A ideia de procurar na forma das coisas a forma das forças, como o trocadilho do título prenuncia, transporta em si um pouco da dimensão que esta ideia despoletou em nós. Sem que a nossa primeira intenção fosse clara começámos a desenvolver uma série de conceitos que giram à volta da ideia de desterritorialização do acto de teatro. Um abusivo “design teatral" como instrumento para chegar à forma que questiona e propõe o espaço e o som da representação.
A ideia de Mal é um território em que não nos movemos e no qual nos reconhecemos. Anoz é uma ideia sobre a origem do fim, o local onde as forças se escondem e repousam imediatamente depois de morrer. Alguma coisa altera-se aqui, sentes? Eu não e tu? -- Olha se perceberes e eu não avisa-me. Na Anoz os bebés nascem nas árvores e a água está cheia de palavras. A verdade é um rio cheio de ecos vagos. Um poço onde todos vão beber.
Na Anoz se se ficar muito tempo a olhar para uma coisa fica-se diferente. O jogo é sempre o mesmo no qual o espectador vai analisando as suas capacidades de raciocínio ao longo das jogadas. É um jogo que deve ser explicado detalhadamente. Um espelho que se vai desfocando. O amor é a porta e a pergunta. Dita de uma forma natural e crua prolongando a dor até o dia nascer. Há catástrofes mas não se vêm nem se ouvem por causa do festim. É onde nada existe nem ninguém mas a vida continua. E as estórias de testemunhas que nos levam a passear pelas ruínas e se esforçam por explicar aquilo que vêm e cobram dinheiro como os guias fazem aos turistas.

O fadista
O fadista é um possuído que transporta os outros. Uma espécie de xaman que serve de autocarro para o sentimento. É preciso calar-se primeiro para depois de ouvir o seu interior, a sua voz o expressar para os outros. A emoção à beira do precipício. O sentimento, a raiz, a palavra, a alma, o tempo, a voz, os tiques.
The body is the decentralization.Anoz is the opposite of the world Zona.The lye is good, just as all that is false is stupid.The several objects that we produce complete each other concentrically. They all have their genesis in this idea of territories / zones. The idea of seeking the form of forces in the form of things, as the pun in the title suggests, gives some notion of the dimension that this idea aroused in us. Without any clear real intention, we began to develop a series of concepts centered around the idea of deterritorialization of the theatrical act. An abusive “theatrical design" as an instrument to arrive at a form that questions and proposes the space and the sound of the performance.
The idea about Evil is a territory in which we don’t walk and in which we recognize ourselves. Anoz is an idea about the origin of the end, the place where forces hide and lie immediately after they die. Something is changing here, do you feel it? I don’t and you? – look, if you feel it and I don’t, tell me. In Anoz babies are born in trees and the water is full of words. Truth is a river full of vague echoes. A well where everyone goes to drink.
In ANOZ, if you spend too long looking at a thing it becomes different. The game is always the same, a game in which the spectator analyses its powers of reasoning through each round. It is a game that should be explained in detail. A mirror that blurs. Love is the door and the question. Uttered in a natural, unrefined way, prolonging the pain until daybreak. There are catastrophes but they are not seen nor heard because of the feast. It is where nothing and nobody exists but life goes on. And the stories of the witnesses that lead us through the ruins, trying hard to explain what they see, and charging us for it, just as tour guides charge the tourists.
The fadista
ZONA - Estreia
1 de Agosto de 1999
MEMÓRIA DESCRITIVA
Festival de Teatro de Montemor-o –Velho
Os vários objectos que estamos a produzir completam-se entre si em círculos sendo que o seu somatório é menor do que aquilo que representam para a Zona. Todos eles têm a sua génese nesta ideia de territórios/zonas. A ideia de procurar como o trocadilho do título prenuncia na forma das coisas a forma das forças. Cada objecto criado transporta em si um pouco da dimensão que esta ideia despoletou em nós. Sem que a nossa primeira intenção fosse claramente essa começámos a desenvolver uma série de conceitos que giram à volta da ideia de desterritorialização do acto de teatro. O vídeo é um meio que tem representado para o grupo um acessório de trabalho. Contudo esse acessório sempre revelou um certo desconforto de relacionamento com as outras tecnologias normalmente por nós empregues. com um sentido crescente de que pode Criar um mundo. Um mundo onde os homens comem pedras e as mulheres têm bebés de pão, onde a luz aparece de só de vez em quando. Aonde o exterior se confunde com o exterior e com o interior também. Um mundo uma zona de onde os homens saem de bolsos cheios de coisas enfiadas dentro de sacos de plástico, cheios com ainda mais coisas de tal maneira que os homens já não os conseguem voltar a enfiar dentro dos bolsos. Um mundo em que o tempo é um lugar comum uma espiral onde cabe o espaço todo ao mesmo tempo. Um mundo sonhado por gajos pequeninos. Um mundo inteiro igual a este só que está avariado. E as estórias de testemunhas que esforçam-se por explicar aos outros aquilo que vêm e que os levam a passear pelas ruínas e que no final lhes cobram dinheiro como os guias fazem aos turistas. Uma estória de amor. Dita de uma forma natural e crua prolongando a dor até o dia nascer.ZoNA - Perguntas e respostaso que é que para mim representa a ZoNA?sinopse 2
“ZONA” “…apresenta-se como sendo um local com respiração própria onde se podem realizar os nossos desejos mais secretos. Está em constante alteração, o que a torna irreconhecível. Mexe-se, alimenta-se e transforma-se. Possui caminhos que se abrem e desaparecem. Fenómenos inexplicáveis que podem ser fatais para quem nela se aventura. Chuvas de prata. Tudo é realidade…”.sinopse 3
A zona é um alvo feito de círculos concêntricos de várias cores que irradiam influências e que se elevam ou se afundam. É uma esfera eterna onde o plano é obeso. É um espaço vertical. É um território onde nos movemos e no qual não nos reconhecemos. A zona é uma ideia sobre a origem que é o local aonde as forças se escondem e repousam imediatamente antes de nascer. Uma espécie de útero ou círculo ou buraco, boca ou bolso. A zona é viscosa e chupa-se. Alguma coisa altera-se aqui, sentes? Eu não e tu? Olha se perceberes e eu não avisa-me. Na zona os bebés não nascem nas árvores. Há pão no jardim. Na zona a água está cheia de palavras. E a verdade é um poço cheio de ecos vagos. Um poço onde todos vão beber água. A zona é redonda porque tem todas as faces assim como o mundo. É onde se acorda sem se adormecer. É onde não existe ninguém mas a vida continua. sinopse 4
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sinopse 11
Life is the fault of fate. The cause of insatisfaction is life and it is fadista’s fault. What can I do except sing fado? Everyone is in mourning. The fadista is possessed, a kind of shaman who transports the others to sentiment. You must be quiet first to hear afterwards. The voice is emotion on the edge of precipice. Again, shy words. The guitar is a hammer and the voice a cave, a captive animal, and it almost hurts to hear it breathe. At the end, the howl, the animal dead, blood gushing, the eye fixed on the infinite and still alone.
Without any clear initial intention, we began to develop a series of concepts centred around the idea of deterritorialization of the theatrical act. An abusive theatrical design as an instrument for arriving at a form, that questions and proposes the space and sound of the performance.
ALBERTO LOPES
FILIPA FRANCISCO
JOÃO GALANTE
apoios: Ministério da Cultura; Câmara Municipal de Almada; Clube Português de Artes e Ideias; Sociedade de Decorações Henriques & Rodrigues; Icomatro; Movifil; Mecanarte; Wurt; Prindil; Mecânica Piedense; Bicc Cel-Cat; Quimar; Euromola; PFAFF; M. Rôlo Lda.; Marques & Frederico; Aldeco; Black & Decker; Santos, Irmão & Marques Lda; Henkel Ibérica, S.A.; Robbialac; B.EL.EF Confecções e Têxteis, Lda.
ESTRADA - Estreia
Partindo do conceito de ESTRADA como motivação, este espectáculo tem como base as experiências humanas que as mesmas nos evocam / suscitam / revelam / provocam. O resultado da abordagem efectuada é um espectáculo que se desenvolve a partir duma história: A família do Imperador e da coelhinha vão passear e têm um acidente. Enquanto estão inconscientes, aparecem uns marcianos que os levam nos seus belos automóveis até ao céu. No céu não há buracos. Mas também não há estradas. Anda tudo a voar como se passeassem num Domingo à tarde. O pior é o fumo que os incomoda imenso e lhes faz arder os olhos. Quando voltam à Terra está tudo no mesmo sítio.A intenção foi a de transformar as nossas observações e as nossas memórias numa outra linguagem que depois transportamos para o palco. O espectáculo é em si mesmo uma porta aberta nos métodos utilizados, e é concebido e desenvolvido com base na interacção entre os diversos actuantes - de distintas motivações e disponibilidades, e o público. A criação do espectáculo acompanha, assim, o trabalho de pesquisa.Na sua realização são utilizados meios pirotécnicos e estruturas cenográficas móveis accionadas pelos intérpretes, num trabalho onde circulam também contradições interdependentes como o amor e o ódio, encontros e desencontros, ser simples e profundo, a noite e o dia, ser triste e alegre, as cidades e o campo, o céu e a terra, o passado e o futuro.O resultado final é uma construção com imagens vivas, de estórias e situações encontradas e recriadas. Uma espécie de devolução de um livro que nos emprestaram e no qual fomos inscrevendo notas à margem, desenhos, esquemas e mapas. Reescrevemos por cima capítulos inteiros ou arrancamos folhas para dar o número do telefone.The result of the approach is a performance that develops through one story: “The Emperor’s family and its little rabbit go for a walk and have an accident. While they are unconscious some Martians show up and take them to heaven in their fine automobiles. In heaven there are no holes. But there are no roads either. Everything flies as if they were walking about on a Sunday afternoon. The worse thing is the smoke that bothers them a lot and burns their eyes. When they get back to earth, everything is still the same.”
Apoios- Ministério da Cultura; Câmara Municipal de Almada; Câmara Municipal de Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian; Carris; Absolut Vodka; LUX; Mirasete, Artes Gráficas Lda.
MUDA - Estreia
A metodologia artística utilizada na MUDA assentou na absoluta ausência de pressupostos, de forma a possibilitar o aparecimento de novos ou que fossem apenas uns quaiquer reconhecíveis.O espectáculo foi concebido a partir de um entendimento da sua estrutura global, o qual se traduziu na construção de uma estória simples de encadeamento de situações de uma vida normal, conceito que foi também aplicado à própria instalação de cena, abrangendo os elementos de cenografia, som, luz e figurinos.
O espaço foi ocupado com um armário transparente e uma chuva constante, a qual pretendeu criar no chão um reflexo simétrico ao que os actores fazem no palco como se houvesse um mundo semelhante ao nosso logo por debaixo dos pés, ligeiramente distorcido e indecifrável.
Os figurinos são compartilhados por diferentes actores em diferentes cenas e situações, de forma a enfatizar uma certa igualdade inconsequente.
INTENÇÃO GERAL
Eu estou calado e continuo a ouvir-me falarMUDA deu início a um processo de questionamento dos métodos utilizados pelo Olho ao longo de todo o seu trajecto e processo criativo. Tendo apenas como ponto de partida a vontade de nos silenciarmos para nos escutarmos e o gosto de construção de um todo que tivesse o encanto de alguns filmes mudos pela qualidade simbólica das imagens sem som, identificámos um desejo que nos permitiu criar pistas para a construção de um espectáculo.
A nossa intenção é obrigarmo-nos a reflectir sobre o que somos e o que queremos fazer em termos teatrais.
É um trabalho em que a viagem de retorno efectuada nos aproxima de tal forma da realidade que, por vezes, temos necessidade de mandar parar o jogo, de tal maneira nos sentimos perdidos dentro dele.
A IDEIA
Este trabalho radica-se na necessidade de reflexão sobre aquilo que legitima uma obra teatral.MUDA parte do desejo de aproximar a forma teatral às formas de pensamento.
É uma obra que se debruça sobre a linguagem, fazendo recurso à utilização de modelos de outras disciplinas para mais adequadamente descrever as complexidades do mundo e, em simultâneo, responder à necessidade de olharmos o teatro de outros pontos de vista.
É a estória de uma personagem muda que morre e ressuscita em triplicado. Três vezes. A minha cabeça anda nas ideias de muita gente. O ser humano é fraco demais para ser realmente bom. e é bom demais para ser realmente mau. É apenas fraco, e maldoso por fraqueza.
O invisível tem de ser compreendido através do visível.
Dramaturgia - João Garcia Miguel
Instalação de Cena - João Garcia Miguel e Eric Costa
Figurinos - Elsa Lima
Assistência de Figurinos - Vitalina Sousa
Desenho de Luz e Banda Sonora- João Garcia Miguel
Vídeo- Edgar Pêra e AKademya Lusoh-Galaktika
Assistência Técnica - Isaac Carlos; Ângelo Cabral e José Pelicano
Luminotecnia- David Palma e Rui Maia
Caracterização - Jorge Bragada
Sonoplastia- João Hilário
Produção Luís Firmo
Assistente de Produção - Mónica Samões
Colaboradores - João Fiadeiro; Francisco Rocha; Susana Durão; João Samões; José Carlos (Formiguinha) e Ivone Tavira
Interpretação - Ana Borralho; Maria Radich; Miguel Borges; Mónica Samões e Rita Só
Apoios-Ministério da Cultura / IPAE; Fundação Calouste Gulbenkian; Câmara Municipal de Almada; Caminhos de Ferro Portugueses; Paulo Inácio; Orbivendas; Gardenia.
GUERREIRO- Estreia
1. É um trabalho que se debruça sobre as formas de oposição e integração entre o individual e o colectivo e a manipulação da comunicação do corpo e da razão. É um enorme desejo de liberdade, um jogo onde podemos entrar. O nome do jogo poderia ser assim "qual é o nome do local para onde todos queremos ir?"
3. O corpo (imago) como fronteira entre eu e o mundo, entre o real interno e externo, que te tatua a intimidade que te violenta as fronteiras, que te culturaliza o corpo.Synopsis2.
Apoios- Câmara Municipal de Almada; Fundação Calouste Gulbenkian; Lémauto; Apadil; Dial; Associação Académica de Lisboa; Black&Decker; Bosch; Bostik; Caminhos de Ferro Portugueses; Instituto Português da Juventude; VPL.
HUMANAUTA - Estreia
Armazém Lémauto
1 de Julho de 1994
Humanauta tem como ideia de partida a sobrevivência do Homem depois da morte do sol. É uma obra de ficção que prolonga as faculdades do corpo e do espírito retransformando-as, reciclando formas e tornando as funções ambíguas mais aptas a sobreviver às transgressões do tempo.
Fizémos uma aproximação à guerra,à indústria pesada, ao virtual, à dança de S. Vito e à decomposição biológica dos seres, tendo em vista a aceleração do movimento de expansão do Universo.
E se houver uma forma superior de mimetismo consciente, uma forma que nenhum ser humano, ou poucos, tenham detectado? E se ele só puder ser detectada se o quiser?
Utilizámos todas as fontes de informação disponíveis, desde o som da água a ferver até às teorias quânticas contemporâneas.
O espectáculo é o desenho de um mapa que se percepciona no absoluto construir de novos impossíveis.
Alguns biólogos têm especulado sobre a possibilidade de existência de formas superiores de mimetismo, uma vez que as formas que enganam os que querem enganar (mas não a nós, os humanos) foram encontradas em todas as partes do mundo.
MEMÓRIA DESCRITIVA
Na travessia do barco todos têm medo, mas os meninos têm pavor. Das águas eleva-se o espírito do rio.
Saltam peixes eléctricos. O barco desliza suavamente sobre o rio.
As águas parecem mercúrio sob o céu cinzento. Mãe. Este mar vai dar onde?
Ao lugar que nos espera.
Àquele a que pertencemos?
Àquele que vamos ainda descobrir.
Encenação / Argumento - João Garcia Miguel
Dramaturgia - Alexandre Crespo e João Samões
Cenografia - Eric da Costa; João Garcia Miguel;
Figurinos - Rafaela Mapril; Elsa Lima
Música/ Sonoplastia - Fernando Gerardo; João Garcia Miguel; Miguel Costa; Pedro Soares
Luminotecnia - David Palma
Aderecista - Eric da Costa
Assistência de Encenação - Claúdia Gama
Laboratório Voz - Susana Vasconcelos
Laboratório Corpo - Filipa Francisco
Análise de Improvisação - Dora Lourenço
Assistência de Montagem - Miguel Ângelo; Nuno Moreira
Atelier de Modelagem / Costura - Isabel Lopes Dias; Sónia Marques
Assistência Adereços - João Samões; Miguel Ângelo;Nuno Moreira; Paula Hespanha; Rita Pereira
Maquilhagem - Jorge Bragada e Cláudia Gama
Design Gráfico - Rodrigo Miragaia
Colaboradores Permanentes - Espaço para Criar; Zé Maria; Direito a respirar
Aconselhamento Conceptual - Rui Silvares (poético); Carlos Flor Dias (horticultura); Pedro Eloy Duarte
Fotografia - Paulo Valente
Vídeo - Ricardo Resende
Produção - Claúdia Gama
Assistente de Produção para Imprensa - Auta de Paula
Secretariado - Alfredo Nunes; Fernando Gerardo
Direcção Geral / Artística - João Garcia Miguel
ELENCO
Alexandre Crespo; Alfredo Nunes; Ana Borralho; Ana Filipe; Auta de Paula; Bernardette Martins;Claúdia Gama; Dora Lourenço; Duarte Nuno; Eric da Costa; Filipa Francisco; Joana Calhau; João Garcia Miguel; João Samões; Jorge Emanuel; Lúcia Marques; Manuel Dourado; Mário Neves; Miguel Moreira; Mónica Carneiro;Mónica Samões; Nury Ribeiro; Patrícia de Oliveira; Rita Só,Rita Pereira; Rodrigo Cortês; Rodrigo Machado; Rui Roque; Sandra Gonçalves; Susana Matos; Susana Vasconcelos.
Apoios:Lémauto; Câmara Municipal de Almada; Clube Português Artes e Ideias; Fundação Calouste Gulbenkian; Instituto da Juventude; Junta de Freguesia do Laranjeiro; Omnicel; Bosch; Black & Decker; Bostik; J.B. Fernandes; Blitz; Diário de Notícias;Luzeiro; Lunática, Filme e Vídeo; Mary Chor; Transtejo; SIC
7 de Julho de 1994
in público, Guerra futurista em Cacilhas
No vasto e desabitado espaço de um velho armazém situado frente aos estaleiros da Lisnave, em Cacilhas, um grupo de teatro chamado Olho - revelado no ano capicua de 1991, ainda com o nome de GIC Grupo de Intervenção Cultural - treina-se para a guerra pós-apocalíptica.
Do trabalho realizado pelo grupo entre 1991 e 1994 destacam-se as frequentes participações em actuações teatrais de rua, nas Festas da Cidade de Lisboa. O Olho é hoje o projecto mais coerente neste género de espectáculo e o que mais tem aprofundado a miscegenação do teatro com a dança e as artes plásticas.
\"Humanauta\", a performance que hoje pode ser vista no armazém de Cacilhas obriga o espectador a participar numa expedição por espaços e tempos onírico-caóticos, entre cataclismos e incêndios cósmicos, pântanos e destroços de guerras galácticas, girassóis enforcados e criaturas minotáuridas (sobreviventes de \"El\", o primeiro trabalho do Olho), veículos-prisões e naves anfíbias. Deambulamos num mundo em que os humanóides são os lobos dos outros humanóides e os monstros armam emboscadas aos monstros. Entre eles há um cujo discurso vem nos \"Lusíadas\", no episódio do Adamastor, quando este diz que há-de tirar vingança de quem o descobriu.
Sobrevivem, assim, neste mundo calcinado restos de velhas epopeias humanas. E até mesmo músicas madeirenses, dançadas por seres paramentados como os caretos transmontanos. E abundam as citações quer de \"El\", o primeiro trabalho do grupo, quer de algumas das acções de rua acima referidas.
A ideia geral que fica desta \"performance das performances\" - esta \"obra completa\" do Olho, se preferirem - é a do amadurecimento do grupo. Por vezes, nota-se uma tendência para a cristalização. O que não é defeito. A companhia criada e animada por João García Miguel sabe que o seu projecto artístico é consistente e o espectador não terá dificuldade em perceber que assim é se for hoje, amanhã ou no sábado, às 22h45, ao nº 27 da Avenida Aliança Povo - MFA. Não se vai arrepender.

